Felicidade é uma das principais buscas do ser humano. Mesmo que o próprio conceito desse estado seja complexo e diverso, estamos sempre procurando aquilo que nos deixa bem.
Então não é estranho entender por que psicólogos, psiquiatras e cientistas pesquisam o que torna um ser humano feliz. E, em uma sociedade cujo núcleo familiar cada vez mais tem pets, é natural questionar:
Quem tem cachorro é mais feliz? Entenda abaixo quem é mais feliz, donos de cachorros ou gatos, e quais são as vantagens que a relação com pets traz para o bem-estar humano.
Quem tem cachorro é mais feliz do que quem tem gato?
Não necessariamente, mas alguns estudos apontam que há diferenças no nível de satisfação social entre tutores de cães e gatos, com donos de cachorro apresentando maior pontuação.
Entretanto, isso não significa que um seja mais feliz que o outro.
Em “Differences in Self-Esteem Between Cat Owners, Dog Owners, and Individuals Without Pets”, os autores afirmam que, pela literatura acadêmica, há evidências de que tutores de cães são menos isolados e depressivos.
Porém, a questão é complexa, muitos fatores interferem nessa medição, desde o fato de serem os próprios tutores que se autoavaliam como felizes ou não, até diferenças de gêneros.
Como o estudo concentrou-se principalmente no conceito de autoestima, eles relataram que os tutores de cachorros possuem índices de maior autoestima em relação a quem não possui pets.
Em contraste, os tutores de gatos pontuaram menos do que pessoas sem animais.
Principalmente quando observaram mulheres que possuíam gatos. Contudo, os autores apontam que esses resultados podem estar enviesados pelos estereótipos sociais.
Uma das hipóteses levantadas é que a socialização e o ritmo de vida que os cachorros necessitam, como passeios etc., aumentam as atividades físicas e a socialização dos próprios donos, o que acarreta em maior qualidade de vida.
Como os gatos costumam permanecer em casa, os tutores não se beneficiam desse aspecto.
Quem tem pet é mais feliz?
Sim, principalmente comparado com pessoas que não possuem pets. Estudos evidenciam inúmeros benefícios para quem é tutor, incluindo satisfação em relação à vida e felicidade.
Possuir animais de estimação também traz benefícios para a saúde, por exemplo, há correlação com redução do risco de mortalidade depois de um infarto em quem tem cães.
Além disso, idosos com pets têm melhor desempenho fisicosocial e menos sintomas depressivos.
O estudo citado acima, “Differences in Self-Esteem Between Cat Owners, Dog Owners, and Individuals Without Pets”, confirmou que, em adultos e idosos, a autoestima tende a ser maior para os tutores.
Para os autores, isso ocorre porque, segundo a Teoria do Apego (Bowlby), humanos precisam estar conectados e manter relações com outros para ter um senso de pertencimento.
E, em casos de isolamento social, esse laço pode ser substituído por um pet.
O que a química diz sobre ter um pet?
Quando você olha nos olhos do seu cão e ele retribui o olhar, algo mágico acontece no seu cérebro. Pesquisadores mediram os níveis de ocitocina, o hormônio do vínculo afetivo, em cães e humanos durante essas trocas de olhares.
Os resultados, publicados na Science, comprovaram um ciclo de retroalimentação: o olhar mútuo dispara a produção de ocitocina em ambas as espécies, fortalecendo o laço emocional.
Além disso, acariciar um cão reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e estimula a liberação de serotonina e dopamina, neurotransmissores diretamente ligados à sensação de prazer e bem-estar.
Qual é a vantagem de ter um cachorro?
Companhia
Um cão preenche lacunas afetivas de um jeito que poucas outras relações conseguem: ele está sempre presente, oferece afeto incondicional e não julga.
Especialmente para pessoas que moram sozinhas, idosos e quem enfrenta processos de luto ou transição.
Rotina e senso de propósito
Ter um cachorro exige estabelecer uma rotina diária: alimentação, passeios, horários de descanso.
Essa estrutura faz bem à mente humana: acordar com um propósito, sentir-se responsável por outro ser vivo, combate a apatia e organiza o dia.
Para muitos tutores, o simples “bom dia” com o focinho na cama já é motivo suficiente para levantar com ânimo.
Redução do estresse e da ansiedade
Já falamos da química, mas o efeito prático é claro: minutos ao lado de um cão baixam a pressão arterial, diminuem a frequência cardíaca e aliviam pensamentos acelerados.
Locais de trabalho que permitem pets, por exemplo, costumam registrar clima organizacional mais leve e colaboradores menos estressados.
Benefícios físicos de ter um pet:
Não dá para falar de felicidade e cachorro sem mencionar o corpo. Cães são parceiros naturais de atividade física: mesmo o tutor mais sedentário acaba saindo para caminhadas diárias. E o resultado aparece rápido:
- Passeios regulares ajudam a controlar o peso, fortalecem o sistema cardiovascular e liberam endorfina;
- Estudos da American Heart Association apontam que donos de cães têm menor risco de doenças cardíacas e maior longevidade;
- As brincadeiras ao ar livre e o contato com áreas verdes (parques, praças) somam os benefícios da natureza aos da convivência com o animal.
Benefícios sociais de ter um pet:
Cachorro é um verdadeiro “quebra-gelo social”. Quantas conversas no elevador, na calçada ou no parque começam com um “que lindo, qual a raça?” ou “posso fazer um carinho?”.
Essas interações, que podem parecer triviais, têm um impacto profundo na saúde social:
- Aumento do senso de pertencimento: frequentar os mesmos espaços com o cão cria microcomunidades, a turma do parque às 7h, o grupo de pet shops, os vizinhos que se cumprimentam;
- Redução do sentimento de solidão em massa: mesmo pessoas tímidas encontram nos cães uma forma natural de se conectar;
- Redes de apoio: é comum tutores trocarem dicas, combinarem pet sitters e até criarem amizades duradouras a partir dos cachorros.
O cão não é apenas um companheiro, mas uma ponte para relações humanas mais saudáveis.
No fim, a ciência e a experiência de milhões de tutores no mundo todo apontam na mesma direção: quem tem cachorro tende, sim, a ser mais feliz.
Os benefícios físicos, emocionais e sociais são reais e mensuráveis. Contudo, essa felicidade não surge automaticamente, ela é construída com responsabilidade, cuidado e respeito às necessidades do animal.
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Fontes:
Schulz C, König H-H and Hajek A (2020). Differences in Self-Esteem Between Cat Owners, Dog Owners, and Individuals Without Pets. Front. Vet. Sci. 7:552. DOI: 10.3389/fvets.2020.00552
Miho Nagasawa et al.,Oxytocin-gaze positive loop and the coevolution of human-dog bonds. Science 348, 333-336 (2015). DOI: 10.1126/science.1261022.
Caroline K. Kramer, MD, PhD, Sadia Mehmood, BSc, Renée S. Suen. Dog Ownership and Survival. American Heart Association Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes Volume 12, Issue 10, October 2019. DOI: https://doi.org/10.1161/CIRCOUTCOMES.119.005554.